Webinário aponta cenário otimista para o cooperativismo financeiro

Webinário aponta cenário otimista para o cooperativismo financeiro

Autor de vários livros sobre cooperativas de crédito, Ênio Meinen foi um dos palestrantes do evento

Em meio a um cenário marcado por concorrência acirrada, intensas transformações tecnológicas e comportamentais, as cooperativas de crédito seguem crescendo. Para se ter uma ideia, em 2019, os ativos do sistema financeiro cooperativo cresceram 5 vezes mais que o dos bancos. Este ano, o setor espera uma expansão de cerca de 30% na sua carteira de crédito e mais de 40% no volume de depósitos.

Estes e outros indicadores foram apresentados durante o webinário “Cooperativismo Financeiro: Essência, Estratégias e Perspectivas”, realizado ontem (21) pelo Sistema OCB/PB. Palestrantes do evento, o diretor de Coordenação Sistêmica e Relações Institucionais do Sicoob, Ênio Meinen, e o consultor Sílvio Giusti acreditam que o setor pode avançar ainda mais. 

Para isto, o ramo precisa se manter fiel à essência do cooperativismo, buscar maior eficiência na gestão e na governança, estar atento às oportunidades de intercooperação, inovação e melhoria no atendimento às necessidades e expectativas dos cooperados.

Mais de 100 participantes

Acompanhado por mais de 100 pessoas através da plataforma Zoom e do Youtube, o webinário foi mediado pelo presidente do Sistema OCB/PB, André Pacelli. Ele abriu o evento mostrando que o setor tem razões para se manter otimista mesmo diante de um cenário desafiador.

André Pacelli, presidente do Sistema OCB/PB

“Nós estamos vivendo um momento atípico em face da pandemia e o cooperativismo tem se mostrado como uma alternativa muito viável e interessante”, afirmou. Pacelli trouxe ainda os números estaduais do cooperativismo de crédito.

“Na Paraíba, temos 12 cooperativas singulares, quase 50 mil associados e as cooperativas têm tido uma importância econômica e social impactante. Hoje já alcançamos quase todos os municípios da Paraíba, o que demonstra a força, a pujança e sobretudo a confiança dos paraibanos nas nossas cooperativas e, por conseguinte, nos seus dirigentes”, comentou.

 

A força do cooperativismo financeiro

O primeiro palestrante da tarde foi o diretor de Coordenação Sistêmica e Relações Institucionais do Sicoob, Ênio Meinen. Em sua palestra “Cooperativismo Financeiro na década de 2020: sem filtro” – mesmo título de seu novo livro -, ele trouxe números que demonstram a força do ramo, apontou ameaças e oportunidades do mercado.

Segundo Meinen, em 2013, os ativos do sistema cooperativo totalizavam R$ 92 bilhões e chegaram a R$ 274 bilhões no ano passado, o que representa um crescimento de quase 200%. No mesmo período, as operações de crédito quase triplicaram, saindo de R$ 58 bilhões para R$ 172 bilhões, e o volume de depósitos pulou de R$ 51 bilhões para R$ 164,3 bilhões. 

Em números relativos, as cooperativas apresentam uma taxa de crescimento mais alta que os bancos. De acordo com o palestrante, em 2019, os ativos do sistema financeiro cooperativo cresceram 16%, enquanto os bancos cresceram apenas 3%. “Nosso crescimento acelerado nestes últimos 10 ou 15 anos tem feito com que o cooperativismo se notabilize na seara do sistema financeiro, apareça para a sociedade e chame a atenção das autoridades. E isto é muito importante”, comentou.

Desafios e Perspectivas

Possíveis alterações no marco regulatório, a concorrência acirrada e os juros baixos são alguns desafios que estão no cenário do cooperativismo de crédito. “Temos gigantes convivendo conosco e dominando o mercado. Os cinco maiores detêm algo como 80% do mercado, em crédito, depósitos e outras operações. Temos em curso uma acelerada desintermediação, que é combinada com a considerável redução de margem de contribuição, afinal vem aí o PIX e o Open Banking. Precisamos estar muito bem preparados para isso”, destacou Meinen.

Para enfrentar os desafios dos próximos anos, ele afirma que as cooperativas precisam: diversificar o portfólio de investimentos, inclusive incorporando soluções de outras instituições; atuar mais fortemente no comércio eletrônico; ampliar o número de cooperados; buscar eficiência operacional;  praticar a intercooperação;  utilizar as facilidades da tecnologia; melhorar governança; ampliar a participação feminina e dos jovens na administração; qualificar a comunicação  e reafirmar a identidade cooperativa.

Cooperativismo regional durante a pandemia

Wilson Ribeiro, presidente da Central Sicredi N/NE

O webinário contou também com um painel sobre as experiências das cooperativas vinculadas às centrais regionais do Sicoob e do Sicredi durante este período de pandemia. O presidente da Central Sicredi Norte/Nordeste, Wilson Ribeiro de Moraes Filho, e o diretor executivo do Sicoob Central Nordeste, Neilson Santos Oliveira, falaram sobre as medidas adotadas pelas centrais e cooperativas singulares em benefício de seus colaboradores e associados. Os dirigentes regionais destacaram, ainda, os novos serviços e soluções de atendimento criados para atender a novas demandas geradas pela pandemia, além de iniciativas de estímulo à economia local e ações sociais.  

Neilson Oliveira, diretor executivo do Sicoob Central NE

 

Essência e Inovação

As inovações tecnológicas e o aumento no volume de informações trazem grandes transformações ao ambiente operacional. Para as cooperativas seguirem avançando neste contexto, o palestrante Sílvio Giusti defende que elas devem buscar atuar de forma eficiente no mercado sem perder a sua essência.

“O que é inegociável para nós [cooperativas financeiras]? A nossa identidade, os nossos princípios e valores. Portanto, [deve haver] ênfase na distinção, na motivação pela qual nós surgimos. Nós temos que ter eficiência no mercado e eficácia no propósito”, afirmou.

Consultor Sílvio Giusti

Falando sobre eficiência no mercado, ele diz que é preciso ter atenção aos processos, à forma de agir e ofertar soluções, ao ambiente comum compartilhado com os outros players do mercado e ao impacto individual (a experiência do cooperado). Já a eficácia no propósito diz respeito à razão de existência da cooperativa, às distinções do ambiente e ao impacto coletivo gerado pelas cooperativas.